_BURGUESES FAMINTOS

8  de Julho | 00h30

Diz-se que no princípio havia o Verbo, mas antes o ruído preparou a terra para o ver chegar. Seria impossível dizer quanto tempo passou até o pó assentar, até a narrativa se criar a partir de uma nostalgia rebelde sobre o passado, até que viesse a união do ruído ao Verbo.

Os Burgueses Famintos nasceram de forma quase acidental, sem que se precisasse de fazer luz numa noite perdida e enterrada de 2014. Os burgueses são Manuel Molarinho (baixo) e João Silveira (voz), famintos e entregues a um delírio textual e sónico captado ao primeiro take.

Ao longo de meia-hora, o improviso é a regra, o erro é estrutural e a tensão subjacente a este diálogo – em que o baixo e a voz ocupam o mesmo plano de importância – é o combustível de um exercício ora sombrio, ora palpitante.

Baseado em SAMO, saído da pena e mente de João Silveira e a publicar pela A Tua Mãe em Outubro de 2015, o disco de estreia dos Burgueses Famintos move-se por terrenos pantanosos e distópicos, mas não totalmente desconhecidos – principalmente para quem já se aventurou em registos como Priest They Called Him. Da voz aparentemente calma de Silveira, discorrem vissões das grandes cidades, que se diluem no turbilhão eléctrico com que Molarinho preenche esta faixa.

 

https://zigurartists.bandcamp.com/album/samo